O dia de Santos Reis
Hoje dia 6 de janeiro comemora-se o dia de Santos Reis, e logo pela amanhã li no jornal o Diário da Região, de são José do Rio Preto -SP, uma imprensa tradicional do município, que devido a Pandemia a festa de reis foi adiada.
Recordo ainda de criança que essa era uma festa tradicional do município e que havia por aqui, muitas companhias. E entre elas pode haver uma diferença na forma de cantar, porém creio que a fé talvez seja o ponto de culminância de todas ela.
O professor Dr. Fabio Fernandes Vilela, sociólogo e professor da Unesp, tem uma simpatia imensa pelas cantigas populares, assim como pelas músicas raízes que fincaram resistentemente no seio da nossa cultura popular. E no projeto de extensão da universidade, em que trabalha o "jongo" relação a sua história ritmo e tradição ele geralmente fala de outros folguedos e nunca esquece as Cias de Reis, inclusive tem um pandeiro característico destas companhias, que muitos chamavam de folias de reis.
Quando nós passamos a entender essa cultura popular, passamos também a perceber que nela está alicerçado um punhado de valores religiosos. E assim como observamos nas bandeiras de folias de reis tem santos, e fotos de devotos.
Sempre na minha família essa cultura esteve presente. Primeiro há uma história de que minha avò dona Ana nos seus treze anos foi dada como morta. Foi organizado o velório e acordou, após uma madrinha dela acreditar que ainda estava viva. E fez uma infusão de erva santa maria com sal e massageou o coração dela. ela voltou no caixão. E o meu bisavó Sr. Lázaro atribuiu isto a um milagre de Santos Reis. E que ela deveria casar com o mestre da Folia. Que na época era um senhor de Vila Velha viúvo. E assim processou mais tarde.
Meu bisavô faleceu, e minha bisavó dona Maria veio para o estado de São Paulo com doze filhos, deixando dois na Bahia, e juntamente com esses filho a Ana, que tornou-se minha avó. E que teve o Mestre da folia Sr. José António de Souza vindo também para o Estado de São Paulo e casado com ela em Cajobi-SP. cumprindo a promessa.
A minha avó por parte de pai mantinha uma folia de reis e meu pai tocava o repique no momento das cantorias. e ainda hoje recordo do verso "Cristo nasceu em Belém para todo o nosso bem Cristo nasceu em Belém. . . " E creio que parte desta história dos reis magos, que iam levar os presentes para Jesus, é o que contou e propagou a história da própria Igreja Católica. Embora por um bom tempo era proibido a entrada de folia de reis nos templos, pelo menos no Brasil.
A própria literatura russa de Leon Tolstói, mostra no livro as palavras de Jesus, na pagina 33 que Jesus nasceu na Judeia, quando Herodes governava, filho de pai desconhecido. E nesta época havia na Judeia um profeta chamado João. E João anunciava às gentes a vida de Deus ao mundo. Diziam que quando os homens reformassem seu modo de viver, quando a igualdade reinasse entre eles, quando cessassem as lutas e se ajudassem mutuamente. Deus apareceria sobre a terra e fundaria seu reino.
Essa posição de Leon Tolstoi, na história universal e em seu livro diverge e muito do livro "Cristianismo de Ambrogio Donini, afirma o que nos consta em Mateus que Jesus no tempo de Heródes (II ,I), deve-se recuar pelo menos cinco ou seis anos. Pois Herodes morreu em 4a.C e este é o único dado seguro. e é inútil forçarmos por sair desta embrulhada, pois a religião trabalho no campo da fé e não no qualquer credibilidade cronológica. E a Judeia dos Evangelhos era um país onde nunca chovia, onde nunca havia frio e onde os pastores passavam a noite ao ar livre no Inverno.
Como já sabemos o dia 25 de dezembro é a data do renascimento do Sol, uma das divindades mais difundidas e identificada com Mitra. deste modo a Igreja não teve dificuldade em fazer a sua solenidade, extremamente popular, tendo os apologistas apresentado Jesus Cristo como o único Sol da salvação. E outra tradição de origem não menos antiga, considerava que o dia da revelação ou epifania, do deus solar era o seis de janeiro, deste modo esta data ficou ligada à natividade de Jesus nalgumas igrejas cristãs católicas como a egípcia, a armênia e ainda a ortodoxa.
Através da regra mágica da perfeição numérica, muito difundida no ambiente judaico cristão da época induzido a pensar entre o nascimento e a morte de um personagem de exceção deveria ter descrito um numero preciso de anos nem amis um dia e nem menos. Segundo a tradição Jesus morrera com 30 ou 33 anos, na semana da Páscoa hebraica, que tem lugar na Primavera e o dia exato varia entre 25 de março a 6 de abril,. Dado que o início da vida de um homem era dado pelo momento da concepção e não do parto, o dia da encarnação devia ter sido 25 de março ou seis de abril e o da natividade , naturalmente nove meses depois a 25 de dezembro ou 6 de janeiro.
No Ocidente prevaleceu o dia 25 de dezembro e a outra data adaptada para a festa da Epifania ou Revelação de Jesus para as massas, simbolizadas pelos magos , sacerdotes astrais que em algum texto apócrifos são mais de três, chegando aos doze dos principais povos da terra, segundo a crença da época.
Na tradição hebraica deve ter sido um homem de "semente de David" e não uma personagem divina, nascida de maneira sobrenatural.. No mundo greco- romana a vinda da luz de seres excepcionais era imediatamente associada a intervenção prodigiosa ou mesmo o episódio dos mitos patenogéneses como foram o caso de Pítágora, Platão ou do próprio Augusto. Perseu que também nasceu de Dánae virgem fecundada por uma chuva de ouro e o apologista Justino teria chegado a essa analogia ou invenção diabólica, tendentes a afastar os homens da via justa.
Bom deixando a antropologia, a história e a religião de lado voltando ao folclore como cultura dos costumes. Recordo ainda hoje da Companhia batendo em casa, e gritando Oi de casa aceita a Bandeira ai. E geralmente associo isto a música gravado por Ivan Lins "O de casa, ó de casa já nasceu o deus menino..."Ou a musica do Tim Maia gritando "Hoje é o dia de Santo reís..É o dia da festa..." Sei que nas festas que haviam no dia da chegada a gente comia carne a rodo, . . era comida até ter dor de barriga e desmaiar na manhã seguinte, até fazer coco na roupa. Mas a gente era criança e o tempo passa um pano neste passado.
E crendo que por rzão de uma pandemia como a do Covid-19, podemos até ter uma nova mudança ou uma nova configuração nas datas religiosas, quem sabe.
Manoel Messias Pereira
professor de história
São José do Rio Preto- SP. Brasil

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