Artigo - O Massacre de Cassange - Manoel Messias Pereira


 O Massacre de Cassanje 


O dia 4 de janeiro de 1961, é uma das datas em Angola conhecida como o "Dia de Celebração aos Heróis Nacionais da Baixa de Cassanje". Foi a data em que os trabalhadores empregados pela Cotonang que era uma empresa belga-portuguesa de plantação de algodão. e esses trabalhadores resolveram reivindicar, melhores condições de trabalho, de vida, e contra os maus tratos e humilhações em que estavam submetidos.

Esses trabalhadores rurais eram patriotas angolanos e resolveram decretar uma greve na Baixa de Cassanje, numa façanha heróica. E nesta época Portugal mantinha Angola como colónia e estava sobre o chamado "Estado Novo" que era um regime autoritário, autocrata e corporativista, governado por António Oliveira Salazar. Portanto com uma ideologia semelhante ao fascismo um totalitarismo de extrema direita.

E como resposta a greve dos trabalhadores as autoridades portuguesas resolveram bombardear os trabalhadores impiedosamente com a chamada bombas Napalm, matando de inicio falam em dez mil   trabalhadores.Para que todos possam ter uma ideia essa bomba foi utilizada pelos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, é chamada de fogo líquido feito a base de gasolina gelificada com lancha chama, deixa no ar uma alta concentração de monóxido de carbono, causa asfixia, feridas muito mais profundas, causa convulsões, paralisia e morte.

Observa-se hoje que a coragem e a determinação destes simples trabalhadores que desafiaram as autoridades portuguesa, elevou a consciência dos angolanos que buscou os seus ideais nacionalistas em prol da liberdade e do processo que levou a conquista da Independência. E foi isto que determinou a eles em 4 de fevereiro de 1961 dar inicio a luta armada de libertação nacional.

E neste dia 4 de fevereiro resolveram atacar a fortaleza de São Paulo onde estava instalado a maior prisão e estabelecimento militar, na intenção de libertar os companheiro que ali caíram prisioneiros. Na oportunidade foram sete policiais das forças portuguesas que vieram a falecer e entre os rebeldes o saldo foram quarenta mortos.

Essas lutas esses ataques o Exercito português a Força Aérea que derrubaram a insurreição na Baixa de Cassanje resolveram apagar o incidente à imprensa. Mas o que sabemos é que no dia 5 de fevereiro de 1961 as autoridades portuguesas mataram 49 pessoas trabalhadoras, já no dia 10 de fevereiro de 1961 as autoridades portuguesas continuaram a reprimir. E os fazendeiros  de Bakongo e os trabalhadores das plantações de café também revoltaram em em 15 de março de 1961 perto de Cassanje mataram angolanos brancos e empregados negros, queimaram plantações, pontes, instalações do governo, delegacia de polícia além de destruir barcaças e balsas. As Forças Aérea usando do mesmo lança chama bombardeou uma área de 200 milhas sendo assim contabilizados aproximadamente um total de vinte mil mortos.

Essa é  região de um imensa depressão geográfica com 80 mil km distribuídos entre Malange e a Lundas com uma população que tinha 150 mil habitantes, compreendendo as aldeias de Cambo Sunginge, Zingue, Kanzage, Wholo dia Coxi, Santa Comba, Mulundo, Teca Tia Kinda, Xandel, Moma, Iongo Milando e Massango. Nos municípios de Cahombo, Marimba, Cunda dia Bazé e Quela. 

 O Movimento Popular pela Libertação de Angola -MPLA, por meio de seu Bureau Político, curvou-se sensibilizado ,perante a memória de todos quanto foram as vítimas deste hediondo ato, perpetrado pelas forças de repressão portuguesa,passando neste dia dos mártires da repressão, a ser uma jornada de reflexão de todos os angolanos. E assim reiteram seus profundos reconhecimentos aos heróis tombados.


Manoel Messias Pereira

professor de história, cronista e poeta
Membro da Academia de Letras do Brasil -ALB-São José do Rio Preto -SP.
Membro do Coletivo Minervino de Oliveira -São José do Rio Preto -SP








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