Crônica - Brasil a morte é certa? - Manoel Messias Pereira

 


Brasil a morte é certa?

Começamos nesta mês a primeira semana que chamamos de Semana da Pátria" quando o Brasil desgarra-se de Portugal. E paga por essa Independência e o mesmo governante colonial, monárquico absoluto, que governava continuou governando agora como I Imperador. Houve lutas pela Independência mas dizia uma velha professora mulher de militar, que já está eternizada na minha memória, "brasileiro e carneiro rimam-se", aqui o povo abaixa a cabeça.

Frase de Impacto "Independência ou Morte", essa frase é atribuída a D. Pedro I às margens do Ipiranga, no dia 7 de setembro de 1822, depois que recebeu a carta ou a mensagem para tornar-se o Brasil independente de Portugal como o desejo de seu pai oficialmente. Em que ele retira as espadas, desamarra o laço português, e teatralmente sabendo que Dona Leopoldina a princesa interina já havia no dia 2 de setembro de 1822, reunido o Conselho de Estado e assinada a Independência do Brasil. Portanto era teatro mesmo essa história.

Observando o Caderno histórico de Paulo Nogueira Batista em que encontro a  frase de J.M Keynes da obra em "Economic Possibilities for Our Grandchilden" escrito em Londres em 1930. E lá encontra-se a seguinte definição "Não devemos superestimar a importancia da economia, ou sacrificar as suas supostas necessidades outra coisa de maior e mais permanente significação. Seria ótimo se os economistas pudessem fazer de si mesmo uma idéia mais humilde, como pessoas tão competentes como os dentistas"

Porém neste mesmo caderno Paulo Batista,  outra frase importante para a nossa reflexão é de Walter Gordon, o ex-ministro das Finança canadense, na sua obra "A Choice for Canada Independence or Colonial Status", Toronto de 1996. E nesta obra encontramos "A Independência econômica anda de mãos dadas com a Independência política. Ao desejar a Independência, não somos diferentes de outros povos, como os EUA. Alguns podem chamar isso de nacionalismo e é o que realmente respeito, lealdade e entusiasmo pelo próprio país, além de legítimo otimismo e confiança em relação a seu futuro."

E neste contexto o autor faz a sua exposição sobre o que trata-se deste processo em novembro de 1989 quando reuniram-se ma capital dos Estados Unidos da América, funcionários do governo estado unidense e dos organismos financeiros internacionais ali sediados. FMI, Banco Mundial e BID especializados em assuntos latino-americano. O objetivo do encontro convocado pelo "Institut  for economic, sob o título "Latin American Adjustiment: How Much Has Happened", era proceder a uma avaliação das reformas econômica empreendidas nos países da região. Para relatar a experiência de seus países também estivera presentes diversos economistas latino americanos. As conclusões desta reunião  é que se daria, subsequentemente, a denominação informal de "Consenso de Washington".

Esse encontro propiciou a oportunidade para coordenar ações por parte de entidades com importantes papel em reformas e com isso revestiu de importância simbólica, maior do que as reuniões oficiis no âmbito  dos focos multilaterais regionais.

Foi neste momento que países como Brasil o Peru, ratificou  a proposta neoliberal que o governo norte americano vinha insistente recomendando , por meio das referidas entidades, como condição para conceder cooperação financeira externa bilateral ou multilateral.

O valor é que o Consenso de Washington está em que reúne , num conjunto integrado, elementos antes esparsos e oriundo de fontes diversas, as vezes diretamente do governo estdo unidense, outra vez de suas agencias, do FMI, ou do Banco Mundial. O ideário neoliberal já havia sido contudo, apresentado de form global pel entidade patrocinadora da reunião de Washington o Institute for International Economics numa publicação intitulada Towrds Economic Growth in Latin America, de cuja elaboração participou o ministro brasileiro Mario Henrique Simonsen. Isto mesmo aquele que gostava de tomar wisk e curtir uma boa praia em Copacabana. E Morreu de cirrose hepática ou câncer no fígado nada sei de medicina.

Paulo escreve que não se trata de formulações novas mas simplesmente de registrar com aprovação, o grau de efetivação das políticas já recomendadas, em diferentes momentos, por diferentes agências. Um consenso que se estende, naturalmente, à convivência de se prosseguir, sem esmorecimento, no caminho aberto.

Esse consenso já vinha sendo transmitida desde a administração de Ronald Reagan o ator far-west que juntamente com  presidente Bush escapou aquela famosa frase sobre o HIV, que ótimo essa vai fazer uma seleção seletiva no terceiro Mundo. E com muito empenho acabaria  cabalmente absolvida por substancial parcela das elites politicas, empresariais e intelectuais da região, como sinônimo de modernidade, passando seu receituário a fazer ´parte do discurso e da ação dessa elites, como se de sua iniciativa e de seu interesse fosse.

Exemplo desse processo de cooptação intelectual é o documento da Fiesp de agosto de 1990 sob o título "Livre para crescer - Propomos um Brasil Moderno", a entidade sugere a adoção de agenda de reformas virtualmente identifica a do Consenso de Washington.

A proposta da Fiesp inclui, entretanto algo que o Consenso de Washington não explica mas está claro em documento do Banco Mundial de 1989, intitulado "Trade Policy in Brasil: the Case for reform" Ai se recomendava que a inserção internacional e nosso país fosse feita pela revalorização de agricultura de exportação. Vale dizer, o órgão máximo da indústria paulista endossa, sem ressalvas, uma sugestão de volta ao passado, de inversão do processo nacional de industrialização, como se a vocação do Brasil,  naquele momento as véspera deste século que estamos vivendo , pudesse voltar a ser exportador de produtos primários como erámos em 1950.

 E diante disto coitado de Juscelino Kubistscheck,  tanta luta para o desenvolvimento da indústria nacional por nada. E vejo em pleno Século XXI, refletida a frase de Impacto. "Independência ou Morte". Agora podemos vender tudo pela metade de preço o petróleo, as Petrobras, todas as nossas riquezas o Banco do Brasil, que no poder está a milícia de assaltantes, prontos para que todos possa refletir com a dependência, pois a independência foi um sonho que passou.  E talvez dormir em berço esplêndido e para sempre, botando fogo na floresta, perdendo os investimentos externos de preservação ambiental, assassinando negros e indígenas, violentando mulheres e crianças. Ponto fim aos direitos do povo, querendo que a imprensa cala a boca e ameaçando jornalista. É neste caso os economista fazem o roubo sujo. O exercito protegem os bandidos, os tribunais internacionais fazem manchetes pelo mundo, é neste caso tornamos dependente financeiro externo do imperialismo, politicamente, economicamente, financeiramente, socialmente e culturalmente. A Independência já passou. Só nos resta a morte. E até lá, rezamos quem sabe rezar, oram, "oras" quem saber orar e dança a dança dos vampiros pois a morte é certa. E o imperialismo a cada dia fortalece se mais. Se a Independência já passou. E então morrer é o destino?

Manoel Messias Pereira

professor, poeta e cronista

São José do Rio Preto -SP




Comentários