Crônica - Os meus sonhos realistas - Manoel Messias Pereira


Os meus sonhos realistas

Eu sempre presto muita atenção, em tudo, no passado, no presente e fico as vezes ansioso para entender como será o futuro.
 O passado não é para ficar guardado na memória como um museu, mas pelo contrario para ser refletido e revivido a cada momento presente, precisamente nos acertos, nos desenvolvimentos científicos, na leitura dos livros. Já o museu serve para refletir sobre o que passou e ter ali a amostra como objeto de um tempo.

Já o presente temos que pensar nas melhores condições de vida, na leitura diária que possa a atender as necessidades básicas e além destas. E com essas condições entender os passos para o desenvolvimento para a reflexão futura.

O tempo todo está ligado a essas três fases de conjugações de ações. Do meu passado de menino lembro da minha casa do meu quintal, da rua, dos caminhos por onde caminhava, do passarinho que alguns colocava na arapuca, do tatu, da preá, do cachorro sempre amigo, do meu pai bêbado, deitado na escada de casa. De minha mãe fazendo os afazeres domésticos e falando para o meu pai não beber. E as seis horas da tarde rezando a Ave Maria. E completando a sinfonia a minha irmã chorando, querendo isto ou aquilo e trazendo-me a irritação natural de irmão mais velho, que sempre acha que há algo além da cólica infantil, além da vontade de dormir, além do choro para acordar,  e coisas que perguntava sem respostas. Mas sempre atento as minhas voltas.

Outra coisa ligado ao passado foi tempo de escola, de sair de dentro do meu casulo, de caminhar pelas ruas, de ir a biblioteca, de ler de escrever, de deixar escrito os costumes de cada membro da família. De ver defeitos e virtudes. De observar as avós e a minha bisavó. De ouvir a música que tocavam e respeitar todos da família. Além dos costumes e tradições que cada um trazia. A religião sempre e sempre presente seja cristianismo  pentecostal,  cristianismo católica, o espiritismo, o candomblé a umbanda , o Bhagavad Gita, esse caldeirão de crença tudo junto e misturado. Mas sempre entendendo que precisavam seguir uma linha em que a evolução fosse preciso. E rindo a todo o momento como se fosse o Exu da casa.

Muita coisa mudou, cresci e todos nós crescemos eu minhas irmãs, vieram outros irmãos. Meu pai indo embora, minha mãe de principio ficou só, mas assim como todas as pedras se mexem, cada qual se arrumando com novos amores, novos filhos novas decepções. Velhas e novas brigas acontecem, E a pobreza e a miséria eterna cristaliza-se.

Tivemos e resolvemos estudar até no que deu e no que dá. Os salários brasileiros para quem é pobre é apenas para enganar o estomago, e a vida segue na desgraça eterna. Na discussão congressual vazia, estupidamente gelada, criticas que devemos fazer precisamente e deve  esta alicerçadas nas nossa necessidade diante das insensibilidades, dos parlamentares, na leitura de mundo nosso diferentes destes que  são apenas safardanas do poder. E a politica é de uma democracia de mentira onde quem participa é apenas uma classe social, já a maioria do país tem voz calada ou desqualificadas, perdida apenas nos bares da vida, na leituras das ruas, na solidão da existência. 

Solidão da existência  não significa que estejas fisicamente abandonada como pessoa numa masmorra, não estão todos juntos, cada qual na sua eterna solidão na sua individualidade capitalista sem nenhum centavo de capital, chorando e amargurando a espera de uma esmola desta elite biltre. essa politica de safadeza. Em que maior parte desta massa de explorados e marginalizados a sombra do sistema capitalista, não tem a consciência, de sua tragédia.

E um país, crescendo, vivendo essa desventura evidente que só tende a aumentar o processo de desigualdade, de violência, de impaciência e desrespeito mútuo entre todos  aqueles que vivem no mesmo espaço territorial A elite assim guarda para ela, a universalidade, o desenvolvimento científico e o resultado disto tudo. Apodera-se da natureza e faz deste ser explorado apenas um escravo, com um salário de fome e alguns desta elite até chama-os de pés no chão de descamisados, de quem não tem nenhum colchão para morrer. Só que essa massa de pobres de excluído de discriminados na sua grande maioria não percebe-se e continuam a eleger a suas próprias desventuras e infortúnios e segue a vida. Agora tem até a extrema direita, para humilhar, para te discriminar, para  te matar na periferia. E segue a história do Brasil.

Manoel Messias Pereira
professor, cronista e poeta
São José do Rio Preto- SP - Brasil



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