Os sonhos e as consciências educacionais
Na última campanha politica para o governo do Estado, votei de forma secreta, e de forma individual na candidata do PSOL, a professora Lisete R. G. Arelaro, professora da Faculdade de Educação da USP é pesquisadora na área de política educacional. E participou da Equipe do professor Paulo Freire na gestão de Luiza Erundina na cidade de São Paulo.
E em 2007 na Câmara dos Deputados houve uma sessão solene em homenagem ao educador Paulo Freire (19/09/1921 -2/05/1997) em Brasilia, com o tema "Paulo Freire Vive", quando a professora Lisete l mais intitulado dos intelectuais brasileiros mas nem por isso arrogante lembrou a gestão da então prefeita Luiza Erundina na gestão da coisa pública incomodou muito, pois na Secretaria da Educação havia um homem solidário e por vez muito humorado, exigente ousado, competente e atento.
Era uma postura de dirigente educacional, coerente com uma concepção educacional, de cidadania com um processo de ensino-aprendizagem.Era o educador que nunca reivindicou para si, direitos especiais por ser reconhecido internacionalmente. O seu lema era o mundo não é o mundo esta sendo, e acreditava que cada minuto era oportunidade de transformar o mundo e nele as pessoas.
E essa possibilidade de mesmo crendo, hoje, totalmente em alguns valores, poder "reavaliar-los" amanhã a partir de novas concepções histórico-culturais. Era portanto um professor à frente de seu tempo.
O seu método de trabalho - ação, reflexão, ação - inspirava o seu quotidiano de Dirigente: as reuniões de equipe era necessária sistemáticas e permanentes, para que, de forma coletiva se avaliasse todo o momento a coerência das propostas educacionais, frente aos objetivo definidos e às sugestões de ação, que a rede municipal apontava.
Criou um colegiado de decisão, espaços públicos que, administrativa e politicamente, definiam as políticas de ação frente às politicas educacionais estabelecidas nos Fórum do Partido dos Trabalhadores-PT, uma vez que nesta época eram do PT. e isto caracterizavam o modo de governar.
No momento histórico, a gestão era democrática, que envolvesse grupos, associações, e sindicatos a construir de forma coletiva, princípios e diretrizes de governo era o princípio que dirigia e motivava as gestões petistas. E onde a participação popular ganharia reforço, organização e espaço de decisão, no esforço de construção de uma sociedade cada vez mais radicalmente democrática.
Paulo Freire trabalhava com Conselhos Populares, em que se recolhiam as propostas de politicas que melhor orientassem a ação politica dos dirigentes, democraticamente escolhidos pelo voto universal. Porém essas ideias foram sendo mais tarde abandonadas. E o lema de povo unido jamais será vencido", que mobilizou o PT e os movimento populares. fazia o educador sorri, pois era propostas estimulantes construída com a participação popular e isto era um simples desejo de um educador avançado que desejava ter uma educação para todos os oprimidos pelo sistema.
Paulo Freire dizia que poder, chefia, são sempre sinônimo de controle, como pré condição da eficácia e eficiência das ações. Esse modo de entender a vida e o trabalho, dizia ele implicam numa relação de subordinação e de separação necessária entre os que pensam e os que fazem. E, em consequência, a necessidade - mudança visível, em muitos colegas nossos de assumir um ar superior que uma posição dá e cria aparentemente (falsa ) impressão de que alguns são iguais que os outros e que os chefes são cidadãos acima de qualquer suspeita.
E isto era o aparato ideológico de um grupo politico eleito pelo povo, pelo povo e em nome dele se encastelava e se isolava estabelecendo novos direitos e privilégios e negava na pratica a gestão democrática e o direito de todos. Essa sempre foi a prática no Brasil, e Freire vai romper com isso.
O que Paulo Freire fez, primeiro perguntou aos alunos, funcionários, professores e pais o que achavam da escola em que eles e seus filhos estavam matriculados ou que atuavam profissionalmente e essa ação constituía realização do primeiro diagnóstico da escola e de suas circunstâncias. Segundo passo perguntou a todos como eles gostavam que fosse a escola. Ou seja a escola ideal para cada um destes seguimentos, que nela atuavam ou conviviam para que a partir desses desejos e concepções ideais se estabelecessem os objetivos educacionais a serem atingidos, sob a responsabilidade conjunta pela escola. E em terceiro lugar o que e em que eles gostariam que suas escolas fossem diferentes ou seja, realizava-se ali, uma primeira avaliação e proposição de alternativa de soluções para cada uma e para todas as escolas respeitando -se a história e as especificidades de cada uma delas.
E essas são palavras com certezas fragmentos que a professora Lizete Arelaro, teve nesta homenagem, e quando ela foi candidata eu pensei que bom ter uma governadora com essa bagagem educacional provinda da maior universidade do País como a USP, e com a experiência de ter convivido numa equipe com a de Paulo Freire. que durante esse período havia convidado os melhores educadores, além de um processo de formação, que não fi imposição de pacotes mas sim subsídios de qualidade com a qualidade dos alunos reais a serem construídas. Frase também tirada da boca da professora Lisete. O meu sonho era que isto pudesse acontecer e que nós paulista pudesse ter essa dádiva, sendo ofertada de bom grato a população brasileira.
Mas o destino quis que os paulistas, nas suas decisões políticos educacionais, nas suas aberturas de pensamentos, tivessem outros históricos de vida. E nunca pensamos numa educadora ou num educador freiriano. Pois hoje na vida e nos sonhos de um Estado de uma cidade, devemos alimentar a necessidade da democracia participativa debatida e ilustrada e para isto precisamos assumir a tarefa de ter esse sonho como propriedade real da nossa existência.
Como afirmou Arelaro, Paulo Freire vive, sem morrer, pois mesmo não estando aqui fisicamente seus sonhos germinaram. Como insistia ele - não repetir as suas palavras mas buscar novos sentidos, novos caminhos e sonhos que virão.
Nossos caminhos é feito de caminhadas, e nelas vamos plantando sonhos como flores e aguardando um dia florescer, basta uma chuva para a esperança surgir, basta o sol para o canto dos pássaros aparecer. Basta existirmos para colher outros sonhos e juntos e fazer da vida e do mundo um lugar melhor e mais aprazível.
Manoel Messias Pereira
professor de história
São José do Rio Preto-SP.

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