Crônica - Fure o cerco da Ignorância - Manoel Messias Pereira



Fure o cerco da Ignorância

Aprendi com os livros um pouco que sei. E sei que aprendi pouco, pelo pouco tempo que tive junto deles e recomendo quem tiver mais tempo doa-se, nas leitura deste instrumento cultural onde há um criador e um libertador de consciência. E sinto que vou escrevendo não de acordo com as palavras deste ou daquele autor mas de fato do entendimento que passo a ter destes escritos. E para tal tenho dois belos fragmentos e passa a discutir. E o assunto está na produção de Pierre Macherrey e do livro de Roberto do Valle.

Com o livro de Pierre Macherrey, atenho-me ao fragmento da pagina 67 que se diga de passagem está solta na obra que tenho em mãos. Lá ele afirma ser o escritor um criador ou o artista. E quando se fala que é um criador, coloca-se na dependência de uma ideologia humanista. Liberto da sua dependência da sua ordem externa. E que neste contexto o  pensamento humanista é quase a ideia de democracia. Na democracia é pensar o povo pelo povo e para o povo, e nisto escolhemos alguém que conhecemos do meio do povo, para conduzir o povo.

Na crianção do criador que é um ser humano, é  tudo pelo humano, e tudo para o humano é circular e tautológico. O ser  humano faz o ser  humano num pensamento contínuo. A criação é um parto. Sendo artista as vezes expressa coisa muito além da projeção cultural do status do momento. E lógico que neste contexto eu estou estabelecendo o que eu entendo sobre o que Macherey escreveu e não que tenha escrito exatamente assim.

A liberdade de criação permite ao ser humano se sentir um Deus-homem, ou seja o homem é o Deus de si próprio, repetindo eternamente a sua eternidade, e o destino que já traz em si. O oposto do ser criador é o ser alienado.

O ser alienado é um ser privado de si mesmo,tornando o outro. Tornar o outro é alienar-se. Quando torna-se ele próprio (criar): as duas ideias  são equivalentes na medidas em que inseres numa problemática. O alienado é um sujeito sem sujeito; é o homem sem deus, sem esse deus que é para o ser humano ele próprio.

Mas Macherey ainda tem a petulância de me dizer que o ser humano entra na contradição impossível de resolver, pois como poderia ele modificar-se sem tornar diferente. Será que é preciso protegê-lo, permitindo-lhe continuar a ser o que é proibir qualquer modificação do seu real estatuto de homem?

Pois bem a ideologia humanista pelo seu postulado, é espontânea e profundamente reacionária, tanto na teoria quanto na prática.

O professor Roberto do Valle afirmou em seu livro o homem cercado , que é o texto que dá título ao seu livro que procurou aprender a didática secreta da felicidade e não soube assimilá-la e disse que não sou de raciocínio. Fala que percorreu o acaso para ver se encontrava alguma coisa que pudesse pensar, como um gesto fugaz desenhado na tela, a bifurcação dos caminhos que são prometedores, de um lado a sugestão de encontrar o azul de outro a ideia de não largar as pegadas. 

Afirma que o sol nasce louro e cobre todo mundo, mas há sempre um muro projetando sombra nos caminhos dos acuados. e que procurou contornar a sombra destas manchas e me expor sem medo, aos versos perpendicular do sol ao meio dia. Me vaguear não projeta sombras a não ser aquelas pisadas pelos meus pés.

Sinto nestes dois fragmentos o ser humano criando e buscando exprimir desta criação o parto de um novo olhar sobre o mundo. Quando Macherey fala do alienado eu descubro o Brasil como um pais de alienados, as pessoas se mantem na moita até que um vampiro surge para sugar o sangue de seu próximo, dá golpe, extermina com o direito trabalhista, numa reforma do inferno, põe -se a favor de destruir os seguros sociais do trabalhador brasileiro num reforma da  previdência riase tiver vontade e que abriria um bilhão de empregos. Ou seja um mentira deslavada. E nisto estamos vendo gente sendo desempregada e a mentira prevalecendo. E por fim surge pelo voto dos alienados um presidente maluco e que diz que tudo resolve-se por uma arminha. Dai retira-se dinheiro da saúde, da educação, põe fogo na floresta, manda matar ou deixa matar o indígena, põe os competentes destruidores do meio ambiente e da população, e fala de um Deus que ninguém nunca viu, numa teoria que todos serão felizes depois de mortos. Fala que é não estupra deputada por que é feia, fala que a jornalista da Folha de São Paulo estaria dando bola a ele num total desrespeito a imprensa e os alienados defendem esse doido e acha que está tudo bem. 

E neste contexto aparece o Covid 19, e o país que ja estava indo de de vento em popa para o caos vê o presidente dizer que todos precisam ir par as ruas ficar doente e morrer, e há um povo de carro protegido, torcendo para isto. Coisas de alienados. 

Tão alienados que continuam  desejando ser conservador e com medo de qualquer mudança . É interessante que o Brasil nunca teve qualquer relação comunista no poder, mas eles tem medo exatamente do que não existe  é o medo do fantasma. Como se a figura de Karl Marx rondassem as universidades, os locais em que se faz ciências, ou que se discutem sociologia, filosofia, história.

Já em do Valle, há um caminho em que se procura sair deste mundo em que todos os alienados estão acuados. E conseguir encontrar esse caminho é decifrar a didática da felicidade. Para ser feliz é preciso ser livre, é preciso fugir das sombras a não ser aquelas deixada pelos seus próprios rastros. Essa é a mensagem que consigo exprimir das duas leituras. E talvez eu esteja totalmente equivocados. Mas de uma coisa eu tenho certeza a Covid-19 é uma realidade e neste contexto pode ter uma democracia não pela palavra como dizia Macherey mas pela morte. Desculpe-me.

Manoel Messias Pereira
professor, poeta e cronista
Membro da Academia de Letras do Brasil -ALB





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