Crônica - Hoje o Dia de Marielle - Manoel Messias Pereira


Hoje o Dia de Marielle

O Brasil no dia 14 de março de 2018, foi impactado com a violenta morte da socióloga, ativista pelos direitos humanos e vereadora Marielle Franco e o seu motorista Anderson Pedro Matias Gomes. Ela que era filiada ao Partido do Socialismo e Liberdade -PSOL e fora eleita em 2016 com a quinta maior votação de vereadora do Pais, ou seja teve 46 mil votos.

Era filha de Marinete Francisco e de Antonio Silva Neto, nascida  em uma favela do Complexo da Maré, de criação católica e seguia uma vida de silencio e partilha "É feliz quem põe a sua confiança no Senhor, Quem jamias para o caminho/Dos soberbo se voltou. A justiça do seu Deus a todo povo anunciou/Quem jamais para o caminho dos soberbos voltou." E talvez nesta reflexão católica a familia em lutada pediu a Deus perdão por todos os pecados e viu Marielle Franco, nascida Marielle Francisco da Silva ser conduzida a vida eterna."

Formada em sociologia, mas na vida toda uma batalhadora que começou a trabalhar ainda na adolescência com seus pais como vendedores ambulantes. E neste período aos 14 anos fez parte da equipe do Funk Fruacão 2000. Assumiu a sua bissexualidade em 1998, casada com o seu primeiro namorado com quem teve a sua filha Luyara. Ano que matriculou-se no pré vestibular popular, oferecido aos jovens do Complexo da Maré.

E em 2000 começou a militar a preocupar-se com o seu próximo como religiosamente aprendeu. Depois que uma de suas amigas foi atingida por um tiro em que policiais e traficantes trocavam tiros. E a sua vida foi assisitir as vítimas desta violencia seja pessoas da comunidades ou policiais feridos. Vitimas da própria situação vividas no Rio de Janeiro.

Em 2002 separou-se de seu marido e foi o ano que passou e começou a cursar o curso de Ciencias Sociais pela Pontifícia Universidade Católica -PUC, com uma bolsa integral pelo Programa do PROUNI. E após a graduação defendeu a dissertação de mestrado em administração pública pela UFF -Universidade Federal Fluminense com o trabalho "UPP a redução da favela em três letras" Em que fazia uma análise da Política de segurança Pública no Estado do Rio de Janeiro. Era critica da ocupação militar pelo Exercito e assim como em relação ao trabalho de segurança feito pela policia que ela via falhas.

Sua causa pelos direitos humanos foi focados, na luta pelas mulheres contra todo o tipo de violência que elas possam vir sofrer,  E assim como as causas LGBT, quando em 2004 conheceu Monica Benício e foram morar juntas inclusive com a sua filha Luyara. E pretendiam casar-se no final de 2018.

Antes disto trabalhou com Marcelo Freixo de assessora na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro Alerj. Foi nomeada e assumiu a Coordenadoria da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania do Rio de Janeiro.

E essa foi Marielle Franco, que por seu trabalho engajado, sempre preocupado com o seu próximo e com o Dirreito devido de cada ser humano, Na defesa de Mulheres, LGBT, de Negro, e moradores das favelas. Ficou conhecida sendo a quinta mais votada para o cargo de vereadora do Rio de Janeiro nas eleições de 2016.

E isto levou ao seu assassinato recebendo três tiros na cabeça e um no pescoço, assim como matando o seu motorista. Foi uma execução, descobriram quem atirou mas ainda não divulgaram o motivo e os mandantes do crime. O seus assassinos e cúmplices são ligados aos milicianos do Rio de janeiro, ou seja militares que passam a fazer crimes e inclusive o atirador assim como outros destes foram homenageados pelo filho do atual presidente do Brasil o  ex-capitão Sr. Jair Bolsonaro. E inclusive muitos destes criminosos trabalharam no gabinete de Flavio Bolsonaro. Assim como a Justiça brasileira até o presente momento brindou essa família de todas as investigações portanto a ramificação criminosa, está como um câncer inclusive nas estruturas do poder no Brasil.

Seu corpo foi velado na Câmara Municipal do Rio de janeiro com a presença de milhares de pessoas e seu corpo foi levado até a sua última morada em 15 de março de 2018 no Cemitério São Francisco Xavier no Rio de Janeiro

Esse crime segundo a Human Rights Watch esse assassinato está relacionado com a impunidade que se observa em todo o Rio de janeiro. E jornalistas como Augusto Nunes e Reinaldo Azevedo chegaram a dizer que esse assassinato foi explorado politicamente. Mas vejo muito mais grave do que essa simples exploração o próprio assassinato em si. Que teve carro dando cobertura, que teve câmeras das ruas desligadas por onde passava o carro da vereadora, que teve uma armação muito bem alicerçada de estruturas para que o crime tivesse essa dificuldade de esclarecimento.

O dia 14 de março passa a ser o Dia de Marielle o dia de luta contra o genocídio da Mulher Negra segundo a Lei aprovada na Assembléia Legislativa e que tens o n.8054/2018.

Marielle teve o seu nome reconhecido internacionalmente, tendo sido nome praça, ruas pelo mundo todo. E no dia de 13 de março de 2020 no Rio de janeiro foi inaugurada a Casa Marielle Franco com exposição permanente sobre a sua vida, no Largo de São Francisco, na Saúde Região Central do Rio de Janeiro.

Sabemos que a vida é selvagem, sabemos que há um parteiro do mundo, sabemos que vivemos desamparos nas mãos de seres humanos, que apenas detém o poder do cofre, que detém o poder das leis, e que muitos destes desrespeitam as próprias leis principalmente aquelas que dá o direito as populações vulneráveis, que apenas vivem a indiferenças das camadas da elite governativa. Mas creio que para essa população Marielle ainda vive. Marielle Presente, presente, presente hoje e sempre.


Manoel Messias Pereira

professor, poeta e cronista
São José do Rio Preto-SP. Brasil


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