Aliança Nacional Libertadora - ANL 85 anos depois
A Aliança Nacional Libertadora - ANL nascida em 12 de março de 1935, foi uma frente de esquerda composta por setores de diferentes organismos, anti-imperialista, anti fascista e anti integralista. E pelo texto de Wendel Antunes Cintra, professor doutor do departamento de ciências políticas da Universidade Federal da Bahia ele aponta antes de mais nada a Concepção de Democracia na esquerda brasileira e em especial aquela expressa pela ANL, nos textos de Luis Carlos Prestes, Virgínio Marques Santa Rosa e Caio Prado Jr.
Afirma que a esquerda brasileira partia de um campo problemático comum na qual a concentração fundiária representava o maior obstáculo para a autêntica expressão política do povo brasileiro. A despeito da convergência em torno da reforma agrária, pensada como condição sine quo non para a democracia brasileira. E nisto via duas respostas distintas para a realização do princípio do governo do povo.
E assim define - Primeiro na Vanguarda altruísta presente com maior enfase nos textos de Virgínio Santa Rosa e Luis Carlos Prestes. E em segundo o Particionismo republicano, expresso nos escritos de Caio Prado Jr. de modo mais ambíguo, nos manifestos da Aliança Nacional Libertadora.
Já observando o que escreve no livro do Camarada Moisés Vinha, que pertenceu ao Comitê Central em 1946, um camarada que nasceu em 1915 e veio para cá aproximou-se e integrou-se na militância ao Partido Comunista Brasileiro -PCB. E também esteve envolvido na organização da Aliança Nacional Libertadora, em seu livro "O Partidão" na pagina 103 ele descreve que "tentamos em 1935 com a Aliança Nacional Libertadora resolver revolucionariamente tais prolemas e enfrentar a demagogia integralista com a resolução dos problemas fundamentais da revolução democrático-burguesa - a revolução agrária e anti-imperialista pelo seu conteúdo, porque já sabíamos que sem o golpe decisivo contra o capital estrangeiro reacionário e colonizador , sem que a terra passasse ao poder das massas camponesas sem terra, nenhum passo seria possível dar rumo ao progresso do país. Fomos derrotados e nestes dez anos de combate ao comunismo o que se fez de fato com as armas asquerosas da policia, do Tribunal de Segurança Nacional, do DIP reacionário de ontem , bem diferente por certo deste hoje que irradia a palavra do povo, foi impedir o progresso nacional e enganar a nação com uma prosperidade fictícia de inflação e de obra pública suntuárias e de fachada, com exclusão talvez única e honrada do início da construção da Usina de Siderúrgica de Volta Redonda." E num ouro parágrafo ele acrescenta que "a situação é outra. A guerra precipitou a crise e pôs em tensão as grandes forças materiais e morais de nosso povo. com uma rapidez que surpreende, modifica-se a nossa situação política e damos passos decisivo para a democracia, de maneira a poder em breve alcançar pelo seu regime politico os países capitalista mais avançados. E, devido a isso , já são agora as próprias classes dominantes, por intermédio da palavra autorizada dos dirigentes de maior prestigio de suas tradicionais organizações, que mostram compreender o que há de profundo e verdadeiro no dilema de Euclides da Cunha - progredir ou perecer. Perecer ou alcançar e sobrepassar os países capitalistas mais avançados, não só pelo regime politico, como também economicamente."
E após essa consulta eu observo o livro de José Joffily "Harry Berger" que é como ficou conhecido o camarada Arthur Ernest Ewert, quase que inserido no quadro Kafkiano. E segundo Joffily situa-se entre a tergiversações, evasivas e silêncios num pragmatismo que atrofiou as esquerdas no Brasil. Porém o fato que sobre a ANL, temos a página 49 de Joffily que traz a resposta "A Aliança Nacional Libertadora foi uma organização fundamentalmente brasileira e completamente independente não só do Partido Comunista Brasileiro como de qualquer influência da Terceira Internacional." "A ANL pretendia instituir no Brasil um governo essencialmente democrático e popular, isto é um governo baseado nas grandes organizações populares e que garanta as suas amplas liberdade democráticas Frente ao imperialismo um tal governo será que sejam profundamente revolucionário, o que não quer dizer que sejam impossíveis certas concessões, de acordo com a situação concreta que atravessa o país. Neste sentido convém tomar conhecimento das instruções enviadas pelo Diretório Nacional da ANL e todos os seus núcleos sobre o que será o governo popular revolucionário nacional"
Li também os textos de Caio Prado Jr, escrito na Revista Escrita Ensaio editada nos anos 80 e tive a sensação de que o que desejavam todos eram desenvolver um capitalismo nacional para fazer frente ao capitalismo internacional uma estratégia totalmente descabida para a compreensão dos dias de hoje. E para mim foi um equívoco, um erro acreditar que havia uma burguesia nacional totalmente desvinculada do capitalismo internacional e isso fica bem evidente no texto do camarada Vinhas, que para muitos novatos foi o romeno nascido em 1915 que aproximou do Partidão, militou e foi juntamente com os camaradas Ramiro Luchesi e Geraldo Rodrigues dos Santos condenados a 10 anos como incursos nos artigos 7 e 9 da Lei de Segurança Nacional. Fato esse publicado pela Folha de São paulo de 7 de junho de 1966. Sabemos hoje que foi um erro de análise de conjuntura. Por isso é tão importante a análise internacional, nacional, provincial e local sempre juntas para que todas as gênesis dos problemas possam de fato serem avaliadas antes de quaisquer passos.
Não poderia de forma nenhuma deixar de lembrar que no Brasil a maioria dos livros didáticos erroneamente trata o fato como intentona comunista. Um erro deliberado pelo pensamento capitalista neoliberal, que estimula uma incompreensão histórica. Para que os ideais da chamada democracia direta tanto propagada pela esquerda, não tenha a substancia necessária para organizar as massas e contestar definitivamente a democracia burguesa representativa, que mostra uma distorção em relação ao parlamento formado pela classe burguesa e a exclusão pura e simples das classes sociais populares. Além da ideologia de dominação do capitalismo, perversa e plenamente bem estabelecida, numa superestrutura traçada pela mídia o poder educacional e cultural, do país.
Manoel Messias Pereira
professor, poeta e cronista
Membro do Coletivo Minervino de Oliveira
Membro da Academia de Letras do Brasil -ALB
São José do Rio Preto-SP. Brasil

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