O Revolucionário Walter Rodney
Em 13 de junho de 1980, uma bomba colocada no carro do professor Walter Rodney, em Georgetown mata-o, deixando a sua esposa Patrícia e seus três filhos, além de seu irmão Donald Rodney feridos. Walter Antony Rodney era professor doutor em História Africana desde 1966, título obtido na Escola de Estudos Orientais e Africanos de Londres- Inglaterra, aos 24 anos de idade e sua dissertação foi sobre "Trafico de escravizados na Costa da Guiné Superior e foi publicado pela Oxford University Press. Mas sua vida foi de dedicação aos estudos, mas também de um grande militância política, crítico contumaz do sistema capitalista. Além de um brilhante orador, um grande ativista pan africanista, e deu aulas em diversos escolas. E sua importância enquanto pensador socialista e sua carreira acadêmica casada com sua ação revolucionaria levou-o ao seu assassinato.
Walter Rodney é oriundo de uma família da classe trabalhadora da Guiana Inglesa atual Guiana negro, que frequentou o Queen's College, onde tornou-se um hábil debatedor, e também um excelente atleta. Depois frequentou a Universidade College das Índias Ocidentais (UCW) na Jamaica e graduou-se em 1963 em história ganhando o Prêmio da Faculdade de Artes. E vai doutorar-se em 1966 em história africana em Londres com apenas 24 anos. Porém em 1970 sob o título "Uma história da Guiné superior de 1945 a 1800, foi amplamente aclamado por sua originalidade.
Passou a lecionar na Universidade de Dar Es Salaam na Tanzânia durante os períodos de 1966 a 1967 e 1969 a 1974 em em 1968 também lecionou na Universit of the West Ìndia em Mona. Sua postura conhecida era de criticar o capitalismo e também a classe média e defendia o modelo socialista de sociedade. E no ano de 1968 o governo da Jamaica liderado pelo primeiro ministro Hugh Shearer, declarou-o professor Walter Rodney como persona-non grata, e tirou a decisão de bani-lo, e sua consequente demissão da Universidade das Indias Ocidentais, Mona. E isto causou protestos dos estudantes e pobres de West Kingston, que se transformou-se em tumulto, conhecido como Rodney Riots. O resultado disto tudo foi de seis pessoas mortas e milhões de dólares em danos.
Os distúrbios estudantis começaram um dia após a decisão do primeiro ministro Hugh Shearer. Essa ação estudantil permitiu um aumento da conscientização política em todo o Caribe, especialmente entre os setôres rastafariano afro-cêntrico da Jamaica e isto tudo Rodney documentou -se em livro. no "The Groundngs Whith My Brother publicado pela Bogle - L' Ou Verture Publications em 1969. Ano que ele retorna a Universit de DAr Es Salaam, onde vai atuar como professor até 1974.
Como africanista foi importante para o movimento Black Power no Caribe e na America do Norte. A sua atuação levou outros grupos de estudos a discutir a questão africana. Em 1974 fundou na Tânzania a Aliança do Povo Trabalhador em oposição ao governo PNC. Em 1979 acaba preso e acusado de incêndio em dois escritórios governamentais.
O que pude colher em muitos escritos era que Walter concentrava sempre sua preocupação com base agrícola das comunidades africanas, nas forças produtivas dentro deste processo, não esquecia a questão de gênero nunca, sua pesquisa trouxe questões sobre a natureza das instituições sociais africanas na Costa do alto Guiné desde o século VXI e sobre o Impacto do tráfico Atlântico de pessoas escravizadas. E isto acabou estimulando muitos escritos.
Quem matou Walter Rodney foi o sargento da força de defesa Guiana Gregory Smith, que apos a sua morte foi morar na Guiana e lá faleceu em 2002. Não há noticia do envolvimento do Estado em sua morte, porém a vida de Smith na Guiana poderia explicar alguma coisa que até então não foi escrita.
Vale lembrar que o professor Winston McGowan em 2010 afirmou que falar de Walter Rodney é lembrar de um estudioso que trouxe novas respostas a antigas perguntas, mas deixou novas questões em relação ao Estudo da África. O grande escritor Wole Soynka disse logo após a sua morte, ou sejas algumas semanas após o trágico incidente que Rodney era um intelectual, revolucionário solidamente e ideologicamente situado a olhar para o colonialismo seu herdeiro contemporâneo, o oportunismo negro e a exploração nos olhos.
Eu concluo, que não é porque se pinta de negro que é irmão. A irmandade africana, se faz na solidariedade, alicerçada na experiência de um sólido internacionalismo, na busca fraternal e revolucionária do atendimento as necessidades básicas dos seres humanos, numa leitura socialista. Pois o capitalismo visa a competição e desagrega quando há um olhar esperando o lucro, sobre quem precisa, do tratamento, do pão, da humildade e da reflexão de um vida plenamente digna e sem outros subterfúgios.
Professor Manoel Messias Pereira
Membro do Coletivo Minervino de Oliveira de São José do Rio Preto-SP
Membro da Academia de Letras do Brasil - ALB, seção de São José do Rio preto-SP/Uberaba-MG.


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