Cronica - A doce orientação materna - Manoel Messias Pereira

A doce orientação materna

Um tempo que já vais longo, era eu criança, diante de uma família, de pai mãe e irmãos. Um olhar de mãe que procurava no céu as explicações das dores da terra. E ela dizia para ser a melhor pessoa possível do contrário, seria maior o fardo da minha existência. De ser filhos de negros, pobres e que tínhamos que superar o preconceito, a discriminação, o racismo. E a primeira tarefa nossa era ir para a escola e estudar, e ser o melhor aluno.

Esse fardo a criança é interessante, porém também estressante, e todos os dias antes de dormir ela contava uma história, ela falava e entoava um canto. Num escuro só quebrado pelas luzes dos vaga-lumes e da pintura das estrelas que me fazia perder no encanto da noite.

Quanto a religião ela contava história tidas como sagrada. Achava muito engraçadas, e passava a ter uma certa fé. Achava interessante a ideia de Moisés viver no deserto, num imenso espaço de solidão, e entre o vento a areia, seus pensamentos e a oportunidade de expansão. Porém a ideia da fé  li outro dia num livro de André Frossard que há tantas definições que é melhor mesmo é considerá-la indefinível de uma vez por toda. Para uns é uma equiscência à palavra de Deus, no entanto esta definição pressupõe que Deus existe  e fala, e incorre em contradição, dar por demonstrado o que pretende demonstrar. e para outros é um graça e portanto inútil de procurá-la, quanto não há temos. E a maioria dos pensadores modernos considera a fé um ato de uma inteligência que toma consciência de seus limites e deixa o resto a cargo de um misteriosos poder superior que regeria o mundo com sua própria existência.

Essa ideia do diálogo entre o Ser e seu Criador, é algo transcendente, quase maluco, para quem nada acredita. Ou o ser físico fala com um ser não físico ou metafísico. É um diálogo a partir do contexto da fé. E não da raciocínio do que é físico.

Já lendo o ensaísta Jean Claude Guillebaud, que concedeu uma entrevista a fé deve dar sentido a razão. e a razão deve questionar a fé. E ter fé não está dizendo não tenho dúvidas, mas aceitar o convívio com ela. ter fé é o oposto do dogmatismo. Porém a ideia dele é ver uma sociedade quepode organizar-se a partir de um certo padrão de racionalidade e essa era a tese de Lipovestsky e de muitos outros seguidores um fenómeno arcaico. Há uma crença de que as sociedades modernas seriam não mais governadas por crenças e assim pelo saber técnico-científico, de um lado pelo jogo de interesses das convicções de outros. Porém Guillebaud vê nisto um erro quando será expulsa as crenças pela porta da frente e voltam corrompidas pelas janelas. E de forma pior, como as seitas new Age, a tirania publicitária, o fascismo do marketing, onde vai prevalecer os gurus e isto não parte de uma credulidade inofensiva mas muito pelo contrário. E o que vemos nos últimos anos é uma onde que parte desde o esoterismo, da paranormalidade, da astrologia, que são abrigos da fé. E como se houvesse uma carência e uma demanda.

A figura do padre é algo que vai perdendo espaço pois ele busca permanecer dentro da hierarquia religiosa católica, com os dogmas, com a eucaristia em que o vinho e pão transforma-se pela fé no sangue e no corpo de Jesus Cristo, mantendo assim os sete sacramentos.

Nos últimos anos vimos o uso da Bíblia inclusive no contexoto político e segundo Guillebaoud, esse uso e para a dominação contemporânea é um conjunto de resolução do Banco Mundial e do FMI. Este livro sagrado da crença cristã é a cartilha neoliberal.

No processo imperialista na etapa superior do capitalismo, vimos que os países ricos industrializados desejaram ter novas áreas de matérias primas, novos seres humanos disponível para ser explorados numa relação como mão-de-obra e como consumidor, fora da Europa, ou seja nos países em desenvolvimentos na época chamados de terceiro mundo, que acabaram ficando como dependentes dos países imperialistas, tanto financeira, económica, politica, cultural, e socialmente  foi usado material bélico, a ciência,  e religiosamente para dominar. E desqualificar totalmente a cultura nativa. E isto parece uma receita de bolo. Foi usada no século XIX e continua a fazer novas vítimas no Século XXI.

Porem estamos no Brasil  da diversidade mas que tens uma prevalecência cristã. Porém noto que o Cristianismo atual mantém uma boa distãncia daquilo que pregou jesus Cristo, não vejo ninguém da outra face, não vejo ninguém amando o próximo como a ti mesmo, não vejo ninguém repartindo o pão nosso de cada dia, nem muito menos fazendo o milagre com toda sinceridade. E que desculpe-me mas hoje os gurus midiáticos tramam milagres, contratam atores para fazer parte das curas, para incorporar algo num culto. Hoje há um teatro bem definido desgraçadamente.

E a explicação li outro dia no livro de H.G.Wells o historiador que afirma que é nos quatros evangelho que podemos conhecer a personalidade e os ensinamentos de Jesus,, mas que encontramos muito pouco sob os dogmas da Igreja Cristã. E é nas Epístolas, que temos uma serie de textos escritos pelos seguidores imediatos de Jesua e que a crença Cristã é formulada em linhas  gerais.

São Paulo foi o principal postulador da doutrina cristã. E ele nunca viu Jesus ou ouvira seus discursos. Seu nome original era Saulo e se tornou conhecido a princípio como um ativo perseguidor de um pequeno grupo de discípulo que formou-se depois da crucificação e mudou seu nome para Paulo. era um ser de grande vigor intelectual e profundamente apaixonado pelas questões religiosas de seu tempo. Era versado em judaísmo e mitrísmo e na religião alexandrino de seu tempo. Introduziu no cristianismo muitas ideias e expressões destas religiões. Pregou que Jesus era o Cristo prometido dos judeus. Quanto as religiões que florescem lado a lado adota  cerimônias  peculiaridades externas uma da outra.

E por fim recorro-me a André Frossard que vai dizer a frase popular "Para crer é preciso term muita fé" ou seja foi necessario calar a própria razão para poder crer. E a fé que estabeleceu entre o Ser humano com o seu Criador, geralmente foi por intermédio de uma escritura ou de uma Igreja. E por fim a fé não constitui senão vinte e quatro horas de dúvida, e menos de um minuto de esperança. E nesta formula a ideia que a dúvida é superada de longe em longe por um sentimento irracional, que não podemos defini-la e nem muito menos explicá-la.

E é neste contexto de criança negra, que precisava crescer, ficar adulta tomar conta dos seus irmão, para a mãe trabalhar e sustentar a família a casa, e lutar contra a discriminação, o racismo o preconceito enfim lutar e prestar atenção nos adventos que poderia ser de felicidade mas também de adversidades.

Um tempo que já vais longo, era eu criança, diante de uma família, de pai mãe e irmãos. Um olhar de mãe que procurava no céu as explicações das dores da terra. E ela dizia para ser a melhor pessoa possível do contrário, seria maior o fardo da minha existência. De ser filhos de negros, pobres e que tínhamos que superar o preconceito, a discriminação, o racismo. E a primeira tarefa nossa era ir para a escola e estudar, e ser o melhor aluno.


Manoel Messias Pereira

professor, poeta, cronista
Membro da Academia de Letras do Brasil - ALB
São José do Rio Preto-SP. / correspondente de Uberaba-MG -Brasil



Comentários