Falece em são José do Rio Preto -SP, o ex-prefeito Wilson Romano Calil, aos 86 anos de idade, após sofrer uma queda ir para Santa casa depois ser transferido para a Beneficência Portuguesa,quebrou o femur, porem o seu Estado piorou com uma lesão no intestino.
Ouvi pela primeira vez falar e admirar Dr. Wilson Romano Calil na Escola. Na época eu era um a garoto que deveria completar meus quatorze anos. E isto foi em 1969 em pleno regime de chumbo na qual no Brasil estava em vigor as Operações Brother Sam, Bandeirantes e Condor. E na minha classe organizamos um trabalho sobre a pobreza, causas, efeitos e devíamos além de discutir levar o caso para alguma autoridade. Haviam vários grupos na classe e houve um grupo que gravou uma entrevista com o Dr. Wilson Romano Calil, outro grupo gravou com o professor Adail Vetorazzo na época o prefeito Municipal, um outro grupo entrevistou o radialista Roberto Toledo, e o grupo na qual eu fazia parte entrevistamos o Dr.Orlando Barbato um médico do Instituto Adolpho Lutz. E na gravação o que todos realçaram a brilhante oratória de dr. Wilson.
Depois observei ele além de médico era também advogado. Um ser humano de imensa maturidade e consciência de cada palavra proferida. Observei que ele foi prefeito de São José do Rio Preto. Nesta época o Brasil tinha como presidente do País, o General Emilio Garrastazu Medici, que entrara no poder de forma indireta numa votação ocorrida no Congresso Nacional, que inclusive fora fechado desde o dia 13 de dezembro de 1968, data do Ato Institucional n. 5.
Depois quando já estava na faculdade tivemos a felicidade de ter uma fala dele numa semana dos estudos sociais, na qual ele falou sobre a Saúde Pública, dando exemplos muito prático em como cuidar da saúde por meio dos alimentos saudáveis, por meio da prevenção e por meio da organização de nossas residências, na qual ele dizia se podemos prevenir quem ganha é toda a administração pública. Que gastará muito menos com a doença investindo na saúde a da população.
Depois fiquei comovido pois defronte a sua clínica houve um atropelamento do garoto afrodescedente Gilmar, filho do Augusto e da Belmira, garoto que fora meu vizinho, e ele prontamente deu os primeiros socorros, porém pouco podia ser feito. Outro feito dele foi quando apresentou-se como advogado do grupo de pessoas que reunia-se no passado para discutir a cidade num movimento chamado de Outra Rio Preto é possível, numa ação movida na época pelo prefeito que equivocou-se pois seus correligionários acreditava que seria correto a privatização dos serviços de esgoto do município. O que não ocorreu dando oportunidade do prefeito Edinho Araujo, realizar talvez uma das mais brilhantes obras de seu governo como a Estação de tratamento do esgoto no município. Num processo que servi como testemunha no Forum de São José do Rio Preto-SP.
E foram nestes poucos momento que estive conversando com Dr. Wilson, porém sei que nuca teve qualquer escândalo de corrupção em seu governo, sendo que sempre foi um médico respeitado, por todos além de um escritor fabuloso. Foi considerado um dos melhores prefeito que Rio Preto já teve. Participou como músico no Programa do Silvio Santos cidade contra cidade ele tocou clarinete, foi o primeiro estudante de São Jose do Rio Preto preso na ditadura. Segundo o historiador Fernando Marques em 1950 quando Getúlio Vargas visitou a cidade de São José do Rio Preto-SP ele montou um palanque a 50 metros de Getúlio e retrucava o que Getúlio falava, precisando da intervenção do prefeito Cenobelino de Barros Serra. Foi o prefeito que Construiu o viaduto da Jordão Reis. E muito antes de morrer já tinha um Complexo Esportivo, uma Escola e um bairro em sua homenagem na cidade.
Era um religioso devoto de Nossa Senhora do Líbano. E dizia que não poderia ser um comunista pois era um Cristão. Foi também comentarista e cronista de noticias da TV Tem de São José do Rio Preto-SP, um ser humano bastante culto. E sua morte significa que a cidade fica triste e muito mais pobre de valores e cérebros pensantes.
Manoel Messias Pereira
professor de história
Conselheiro do Condephaat, Conselho Afro-Brasileiro, Coletivo Minervino de Oliveira e da Academia de Letras do Brasil - ALB

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