Dia Mundial do Escritor - 13 de outubro - "Escritores São estrelas brilhantes- Manoel Messias Pereira

Escritores são estrela brilhantes
O escritor é um ser humano, que vai pautando-se por sua sensibilidade e traçando sua escrita que é uma forma primitiva de transmitir o conhecimento. A primeira das formas é a da fala, chamada de forma primária, depois surge a necessidade de conhecer a escrita uma forma codificada. E no caso da minha língua portuguesa, que provém do latim, conhecida como a última flor do Lácio, inculta e bela, pois com certeza é a expressão do baixo latim, temos a versão de Luiz Vaz de Camões ao escrever "Os lusíadas", foi passear de barco com seus dois amores, a namorada e o livro como o barco virou e ele só tinha que salva um salvou o livro, que foi a matriz desta bela e complicada língua, mas que encanta em diversos nos quatro continentes, na África, na América, na Ásia e na Europa.

Quando da minha infância, numa redação do terceiro ano de grupo o tema era "o que quero ser quando crescer?" Obviamente que escrevi que seria professor e escritor. Isto chamou a atenção da professora nos seus comentários. Mas afirmei que poderia ser um profissional melhor do que aqueles que encontrei na Escola. E como escritor, talvez não vou escrever coisas tão fora da realidade como lia no terceiro ano de grupo. Parece que profissionais da educação assim como da escrita utilizam-se de expressões e de escrita na qual vê o aluno como se fosse um ser idiota. E isto é porque a professora antes havia pedido um cópia dum poema de Cassiano Ricardo, que eu disse que era uma porcaria e que não escreveria aquilo. E eu afirmei escrevo melhor com o meu olhar e sobre a minha realidade. E a professora me deu uma bronca e me chamou de malandro. Dei um sorriso interior e pensei não falei, posso ser o malandro mas nesta sala nenhum destes meninos terás nota maior do que a minha em nenhum mês. E foi dito e certo. No final do ano ela me abraçou e veio me dá os parabéns era o fim de 1966 . Ai dei o sorriso, e disse a senhora lembra quando eu falei que não escreveria o poema de Cassiano Ricardo. Olha a minha produção de poesias. Fiquei de bem com ela. Que me beijou a face de menino negro.

Um colega foi correndo contar a minha mãe. Que ficou admirada enquanto que eu estava de rosto fechado e de poucos amigos. E por dentro sorria fez pois estava colocando as pessoas no seu devido lugar. Portanto o escritor é um ser que tens nas palavras o seu instrumento de trabalho, no sentimento a força da expressão. E longe de falar mal deste ou daquele escritor, o bom profissional permitem-nos de transcender nas suas laudas, nos seus versos, nos seus escritos em prosa.

Acho difícil um jovem começar na profissão de escritor. E antes era pior  ainda, você fazia seu trabalho e  eu que morava num barraco de madeira numa miséria absoluta, pegava o texto escrito a mão e precisava passar numa máquina para guardar. E sempre que você ia conversar com alguém sobre isto a pessoa fazia cara feia e dizia que você estava enchendo o saco. E com isto eu falava comigo mesmo, obrigado e por dentro eu falava vá pro inferno filha dp... Tinha que ter uma máquina emprestada, e isto era dificil um garoto negro sem calçado, querer escrever a sua poesia ou seus escritos em prosa no jornal. Aos 10 anos conheci dona Ercília de Faria, da escola de datilografia Nossa Senhora Aparecida, na minha cidade assim  tive contado com as máquinas e pude começar a escrever alguma coisa na máquina e entregar nas redações dos jornais. E o meu primeiro texto publicado foi no jornal "A Folha de Rio Preto" que foi extinto já tinha meus 15 anos, e eu escrevi sobre o lixo nas ruas, pois após assistir um filme do Sr. Curti, observei que cidades como Tóquio, Nova York, na época tinha uma limpeza impecável, e andava por São José do Rio Preto-SP, e via papel de bala, toco de cigarro uma indescência um lixão, e pedi para que a cidade tivesse um processo educacional capaz de trazer consciência ao povo. Mas pensando bem nem o Executivo, nem o Legislativo e muito menos o Judiciário estão pensando nisto ou melhor são porcos dissimulados e o povo que elegem também tens esses espíritos.

Mas para escrever é preciso ler, entender a mágia da arte poética, a forma da prosa, conseguir interpretar tudo a luz de uma realidade. Outra coisa estranha que tive foi a participação de concursos. Primeiro você pegava o edital e fazia exatamente o que estava escrito. A obra num envelope, os dados do escritor no outro e encaminhava para fazer a inscrição. Cheguei assim no balcão da Delegacia Regional de Cultura, que antigamente tinha um projeto para jovens relacionado com a arte chamado de "Semana de Arte Jovem" quando dirigia essa delegacia a senhora Agnes de Melo. O que não gostei entreguei tudo como manda o protocolo e vi um funcionário rasgar o envelope que estava a obra e começar a ler. E eu disse e retruquei que aquilo era para o concurso e ele devolveu-me e disse organiza outra postagem. E naquele momento achei que todos os concursos eram arapucas, e que nada disto ia fazer eu ser escritor apenas escrever e apresentar-me na medida possível. Outra coisa que achei era que um desrespeito talvez graças a minha cor e eu estava no Brasil um país racista e que mantém até hoje o processo discriminatório e preconceituoso com o negro. Parece que escrever é coisa da elite branca.

Em seguida mandei um trabalho em prosa para um concurso na qual o personagem observei na conduta, na vestimenta e na fala de um vizinho, um velho analfabeto e que traziam várias coisas como vender banana num carrinho de mãos na rua, de fazer cultos em sua casa em fazer pontos de terreiros nas árvores, em falar de uma sueira que ele sentia na cabeça. Organizei o texto com todas aquelas formas de expressão. E tive críticas de que eu havia copiado texto de pelo menos três outros autores, que não conhecia e nem era da minha região. Eu resolvi não participar de merda nenhuma e ainda acreditei que as figuras folclóricas brasileiras se parecem muito uma com as outras. E silenciosamente mandei todo mundo para o inferno.

Essa questão de mandar as pessoas para o inferno e escrever é algo de Dante Aligheri, porém não escrevo mandando eu desejo do fundo do coração, em silêncio, principalmente as pedras que me machucam.

Os nossos escritores também devem ter tidos muitas pedras no caminho para a sua afirmação penso eu. Hoje dia 13 de outubro, recordo que em 1944 o escritor e ator e também foi preso político por lutar pela democratização do Brasil e assim  chegou a ser Senador de nossa República o senhor Abdias do Nascimento criou o TEN Teatro Experimental do Negro, coisa que sempre me orgulhou. Escrevi para ele em 1982, mas para falar sobre a data do 13 de maio e ele me respondeu e inclusive mandou-me um artigo na época. Também tristemente lembramos da morte física de Manuel Bandeira, falecido em 1968 nesta data de 13 de outubro e dele lembro a poesia "Irene Boa" na qual ele escreve sobre uma negra que morria e ia para o céu, e seria recebida por um São Pedro bonachão. Ele tinham a mania de morte e sempre andava com um guarda-chuva. E isto ou seja essas manias ouvi nas aulas de literatura, uma vez que fui aluno de Literatura Comparada. Agora o primeiro prêmio Nobel da Língua portuguesa foi José Saramago neste dia 13 de outubro em 2003 afirmou que os judeus hoje faz com os palestinos, o mesmo que os alemães fizeram com eles no holocausto. E isto causou mal estar nos sionistas. Que dá licença precisa entender um pouco de humanidade e de respeito ao seu próximo. Porém lêem bíblias, falam de religião mas faz tudo ao contrário. E isto me dá o direito de questionar a todos sim  com o máximo respeito as minhas divinas críticas.

Gosto de vários autores que recomendo, a todos como leitura imprescindível, entre eles escritor francês Paul Lafargue, no seu livro "Direito à preguiça e outros textos" ou texto do escritor brasileiro  Monge beneditino Marcelo Barros, que no ano 2000, lançou um texto na imprensa em que critica a doutrina moral da Igreja Católica, e tem o livro "Católicos falam da Virgem Maria como mais santa por ser Virgem", Outro livro é de escritor francês Louis Althusser "Ideologia e o aparelho ideológico do Estado", escritor brasileiro João Baptista Herkenhoff "Direitos Humanos uma ideia muitas vozes", e do escritor alemão Willelmen Reich "O assassinato de Cristo", e dos autores V. Afanassiev , M. Makarova eL. Minaiev o livro "Princípio do socialismo Científico" do brasileiro Antonio Carlos Mazzeo o livro Sinfonia Inacabada e por fim o livro da brasileira Ana Cristina Cesar "a teus pés" que suicidou-se em 29 de outubro de 2003.

A obra literária possibilita você situar-se num universo que é do conhecimento básico, da história, da construção científica social, as vezes num contexto regional porém tudo o que é regional é também universal. Lembrar os autores suas histórias seus apontamentos e influir sistematicamente na possibilidade de uma nova mentalidade como luz  que aponta o caminho e a necessidade de caminhar. E caminho com pessoas que faz-me feliz, como Vicente Serroni, que colocou pela primeira vez um poema meu no jornal, a Roseli Arruda minha confreira, assim como Dr. Mario Carabajal e a dra. Magna Aspasia, também a Roselis Batistar, uma pessoa que além de poetiza, é militante como eu, uma internacionalista, do amigo Edvaldo Giacomelli, Walter Merlotto,  o amigo Fabio Vilela, e sempre companheiro de jornadas Marco Aurélio Breseghello. E outros tantos amigos . São seres envolventes, inteligentes surgidos na vida da gente como estrelas brilhantes. São escritores.


Manoel Messias Pereira

professor de história, poeta, cronista
membro da Academia de Letras do Brasil -ALB
São José do Rio Preto-SP.










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