Cronica - Steve Biko e a Consciência Negra - Manoel Messias Pereira


Steve Biko e a Consciência Negra
funeral de Steve Biko
A  data de 12 de setembro de 1977, ficou marcado como o dia em que a policia sul africana, assassina o escritor e ativísta Steve Biko, autor do livro "escrevo o que eu quero", uma ação de violência deliberada dentro do contexto de racismo do apartheid que foi submetido o Estado da África do Sul, entre o período de 1948 a 27 de abril de 1994, num regime de segregação racial, na qual a maioria da população tinha os seus direitos desrespeitados.

O lançamento do livro de Steve Biko no Brasil, teve a apresentação da senadora e ex- governadora do Rio de Janeiro a senhora Benedita da Silva, que realça  a figura deste escritor num sentido de promover o reencontro do ser humano negro consigo mesmo numa recuperação dos valores positivos e essenciais da cultura africana alicerçada nos pressupostos do humanismo africano e da fraternidade. E via no pensamento de Biko profundamente imbuído de um sentimento religioso recupera uma identidade metafísica perdida no processo de coisificação determinado pelo processo de exclusão que persiste nos processos de discriminação racial que existe em todo o mundo.

Porém neste livro abre com as palavras de Biko "A Consciência Negra é, em essência, a percepção pelo ser humano negro da necessidade de juntar forças com seus irmãos em torno da causa de sua atuação - a negritude de sua pele - e de agir como um grupo, a fim de ser libertarem das correntes que os prendem em uma servidão perpétua. Procura aprovar que é mentira considerar o negro aberração do "normal" que é ser branco. É a percepção de uma nova concepção de que a o procurar fugir de si mesmo e imitar o branco, os negros estão insultando a inteligência de quem os criou negros. Portanto, a Consciência Negra toma conhecimento de que o plano de Deus deliberadamente criou o negro, negro. Procura infundir na comunidade negra um novo orgulho de si mesma, de seus esforços, seus sistemas de valores, sua cultura, religião e maneira de ver a vida".

Estas palavras de Steve Bikos, foram escritas no contexto do apartheid, portanto, num clima em que ser negro era ser submetido a um processo de exclusão exatamente pela cor da pele, pela ideia dos camitas de que os seres humanos negros eram inferiores e foram excomungados pela questão  religiosa, de acordo com interpretações bíblicas. E contra isto Bikos estudava, escrevia e lutava.

Em 1971 o escritor apresentou um trabalho em uma conferência convocada pela  Associação de Ministros Religiosos Africanos de varias denominações Cristãs (IDAMASA) e pela Associação para o Desenvolvimento Educacional e Cultural do Povo Africano (ASSECA), ocorrido no Centro Ecumênico de Treinamentos de Leigos em Edentale, Natal. E neste momento Biko, dizia da dificuldade que era falar com a autoridade sobre qualquer  assunto relacionado com a cultura africana. E para ser mais preciso da vida Bantu., e tudo relacionado aos hábitos alimentares. E acreditava que não era só falar da cultura africana para os africanos pois muitos dos valores foram se perdendo pois outros valores como províndos da Europa foram incorporados e a cultura negra foram sendo negada. E o que ele Biko desejava era por uma luz entre todos os leitores africanos ou não. apresentando uma aculturação que foram introduzida não a partir do processo de imperialismo econômico e político mas de um construção de aculturação iniciado infelizmente em 1652 quando da fusão da cultura anglo boer, com sofisticação colonialista e portanto que foi para a África com equipamentos pesados para a conquista do continente africano, conquista feita por persuação, valendo-se de uma religião exclusivísta que condenava todos os outros deuses e exigências e observância de um código estrito de comportamentos em relação a vestimentas, à educação, ritual e hábitos. Quando era impossível converter-se, armas de fogo que estavam em alcance de mãos e era usada com vantagem. E isto é que fez a cultura anglo- boer mais poderosa.

Assim, ao examinar os aspectos culturais do povo africano, é inevitável que se façam comparações. Isso se dá, basicamente, por causa do desprezo que a cultura superior demonstra em relação à cultura nativa. Para justificar o fato de se basear na exploração, a cultura anglo-boer sempre atribui um status inferior a todos os nativos. Por isto ele se declara contra a opinião de que a cultura africana está presa ao tempo, à nação de que, com a conquista do africano, toda a sua cultura foi apagada. E assim contra a ideia de que ao falar da cultura africana refere-se a cultura pré-Van Riebeeck. E vê que a cultura africana sofreu duros golpes e é possível que tenha sido agredidas quase a ponto de perder sua forma.

E Biko escreveu assim sobre a consciência negra "Ser negro não é uma questão de pigmentação mas de reflexo de uma atitude mental. Pela mera descrição de si mesmo como negro, já se começa a trilhar o caminho rumo a emancipação, já se está comprometido com a luta contra todas as forças que procuram usar a negritude como um rótulo.

Porém as ideias de Steve Bikos sempre incomodaram os governantes do Apartheid, por isto ele foi preso arbitrariamente e assassinado com golpes de cacetes na cabeça, até que seu crânio fosse quebrado. O cinema por meio de Cry Fredon ou grito de Liberdade dirigido por Richard Attenborough, mostra a África do Sul de 1970, durante o período de segregação racial, com um roteiro de John Brieley, filme alicerçado no relato dos acontecimentos da vida real envolvendo Steve Bikos, o ativista que em 1968 fundou a União Nacional dos estudantes da África do Sul. Por sua oratória e forma de escrever foi banido pelo governo da África do Sul, e proibido de comunicar-se com mais de duas pessoas foi assim que ele precisou fugir refugir em Igrejas. e por fim preso e assassinado.

E sobre a morte ele registrou as seguintes expressões: "Ou a gente está vivo e orgulhoso, ou está morto. E quando está morto. A gente não liga mesmo. E o modo como se morre pode ser, por si mesmo, uma coisa que cria a consciência política." Diante disto estamos conversados.


Manoel Messias Pereira

professor, cronista e poeta
Membro da Academia de Letras do Brasil -ALB
São José do Rio Preto-SP. Brasil







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