Bartolomeu Campos Queiroz
A escola de nosso tempo infeliz e insegura
Muitas coisas ao longo de nossas vidas vemos, lemos, guardamos na memória e outras coisas esquecemos. O que li no início ou seja no primeiro ano do século XXI, foi um texto no Jornal da Unicamp no Caderno Temático e nesta matéria jornalística envolvendo o escritor mineiro Bartolomeu Campos Queiroz, nascido em Belo Horizonte na localidade de Para de Minas no dia 25 de agosto de 1944, portanto se estive vivo estaria completando setenta e quatro anos mas faleceu em 16 de janeiro de 2012 vitima de insuficiência renal, com 68 anos de idade;
Este escritor que era um autor infanto juvenil e escreveu quase cincoenta livros entre os quais, Raul e o Luar, Cavaleiros da sete Luas, as patas da vaca, somos todos igualzinhos, de letra em letra, Flora, Elefante, Ciganos.
Bartolomeu viveu a sua infância em Papagaios-MG, era formado em educação e arte um humanista que estudo pedagogia no instituto de Pedagogia em Paris e participou de importantes projetos de leituras e literatura, como o Proler, e o Biblioteca Nacional. Foi fundador da Fundação Clovis Salgado/Palácio das Artes e membro do Conselho Estadual de Culturade Minas gerais. Foi autor do manifesto Brasil Literário e colecionou medalhas como a Chevalier de l'Ordere etes, Artes Lettres - França, Medalha Rosa Branca de Cuba, Grande Medalha Inconfidencia Mineira. Além de láureas como oGrande Premio da Crítica em Literatura Infantil/juvenil pela Associação Paulista de Criticos de artes, Jabuti, FNIJ da Academia Brasileira de Letras.
O que leva-me a recordar, a buscar na memória são suas palavras no Jornal da Unicamp, na qual ele dizia que na escola formava-se homens infelizes e inseguros e os livros eram usados como muletas pedagógica e não como vôo e percepção. E assim tem um sujeito menos sensível e cada vez mais ocupado unicamente com o financeiro. E com isto ele via a literatura como um caminho que abre portas, por ser um instrumento de reflexão, artigo raro num universo em que predomina a quantidade em detrimento da qualidade. E vê governos somente preocupados com números de seres matriculados. E não quer saber com a qualidade do ensino, se o professor recebe salário digno, ou se consciência social. e nisto pra ele a educação era servil a ideologia dominante no caso brasileiro o neoliberalismo, entendendo apenas com o mercado. assim o aluno é para o mercado consumidor provisório e inapto num trabalho que exijam a criatividade e jogo de cintura. E isto que remete-nos a entender que educação serve para emancipar o ser humano, cultural, social, cientifica tecnológica e educacional.
E essas criticas do escritor é que leva-o a deixar o pensamento do livro muleta, assim como vejo na escola pública como a do Estado de São Paulo e o professor em cima de um caderno do aluno e o caderno do professor,em que o supervisor fica observando se este profissional está cumprindo a proposta governamental ou não como se aquilo fosse uma a muleta mesmo. E o voo a busca do saber fica em segundo plano.
Bartolomeu via a escola como algo trágico em que estava excluída da sala de aula as discussões sobre as nova ordem mundial, em que o ser humano passa a ser apenas uma máquina produtora. Portanto entre a educação e a cultura literária temos uma diferença, ou seja na literatura desenvolve ou devolve ao leitor a sua humanidade.
Portanto ler Bartolomeu hoje é extremamente importante e mais do que isto é compreende-lo, no seu aspecto pedagógico. Assim dá pra dialogar com a necessidade que temos hoje, de criar o aluno não apenas para o mercado, mas além do consumo, mas sim para o emancipar de seres humanos, num aspecto além da cidadania de forma muito diferente do que temos hoje. E sair desta tragédia grave para o país e para o mundo.
Manoel Messias Pereira
professor, cronista e poeta
Membro da Academia de Letras do Brasil -ALB
São José do Rio Preto -SP.Brasil

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