A nossa era de incertezas
Que papel cumprimos na sociedade em que vivemos? Essa é uma pergunta que pode ter inúmeras respostas. Ou qual papel a sociedade e o sistema capitalista desejam ter de cada ser humano trabalhador? Outras inúmeras respostas surgirão. Ou como essa sociedade se vira com o tratamento dado ao trabalhador tendo o Estado como equilíbrio balizador das diferenças sociais? Outras respostas virão.
Dizem todos que somos os conteúdos de nossa educação que teve como começo a nossa casa, a nossa primeira escola. Foi lá que um conjunto de valores como respeito, como as condições da adversidade, das dores da convivências familiares pode ser construídas, para que pudéssemos mais tarde vir para o mundo externo de fora dos muros de nossas casa residências.
E para fora deste muro ainda passamos a procurar os bancos escolares, a socializar amizades, sentimentos de fraternidades, de solidariedade de companherísmo, de condições para as boas sociabilidades. Aprendemos a exercer o amor ao próximo, a conviver no momento da alegria e sorrir, mas no momento das tristezas coletivas chorarmos juntos ou amparar aquele que não tem as mesmas forças de aguentar as agruras e feridas da existência.E nos bancos escolares vamos sendo submetidos a matrizes curriculares, e lá aprendemos a ter contatos com as ciências das mais diferentes formas assim como a filosofia. O pensar a vida. E estudá-la de forma a criar métodos, objetos de estudos e ter um objetivo específico. E assim criamos no mundo todo as filosofias, questões, pensamentos, construídos com um objetivo educacional, usando instituições que argui a religião, ou não, o sentimentos da matéria ou da busca espiritual, da alma na sua humanidade.
Pensando na história entendendo uma retórica e compreendendo a trajetória construída do ser humano na fase da terra, usando dos elementos do conhecimentos acumulados em cada tempo e entendendo as ideologias e por quais motivos há necessidades de derrubar uma mata, ou de poluir um rio e qual a necessidade de criar a doença e de elaborar a industria, que não cura mas que promove um prolongar da vida por uns tempos dentro de uma possível visão produtiva. Caso contrário temos a industria da morte, pronta pra ser visivelmente estabelecida em conflitos, em ações que leva o povo ao desespero ao refugio. De outro lado a geografia questiona e aponta os seres humanos pelo planeta, na distribuição do espaço da terra e armando formas de sair daqui.Na busca desenfreada de ocupar o espaço geográfico, e com isto há ideia de propriedade criada outro dia, dentro de um processo revolucionário, na leitura dos cartórios, na loucura das leis. Quando o mundo deveria ser de todos e toda a propriedade seria sim um assalto aos que caminham pela terra no desespero entre os fogos cruzados dos conflitos civis, urbanos e rurais e os que aventuram-se no mar para morrer como refugiados. E são barrados por seres da mesma espécie humana, que controla fronteiras, governos, e liberdades sem nenhum escrúpulo de humanismo.
E isto na minha opinião vamos ter uma educação ainda de qualidade inferior no contexto das escolas pois a educação oferecidas por essa base é para criar um banco de reserva de pessoas que não conseguirá refletir sobre a realidade, um conjuntos de pessoas, que jamais se emancipará cultural, social e educacionalmente. Mas ficará detido para sempre na caverna da ignorância do mundo que irá transformar apenas em animal de carga ou rato para ser plenamente manipulado.
A nossa ciência e tecnologia será esvaziada de conteúdo e de verbas e também não desenvolverá e o nosso futuro, que deve ser sim das incertezas. É a incerteza é um muro a ser escalado. A vida é parte de um conjunto de contextos e quando diluímos isto de forma proposital e de maneira educacional, tratamos o ser humano como ratos de laboratórios.E isto é muito triste.
E encarando tudo isoladamente propomos a criar o ser humano, para ser torturado como operador de um serviço que deixará mais pobre na vida de consumo e mais pobre para entender a lógica da sua existências das suas dores sociais e políticas. E isto podemos entender que é a contradição do sistema do capital do chamado contra-senso. Educaremos o ser, não mais para a sua humanidade mas para sua monstruosidade.
Lógico que não devemos esgotar todas as nossas perspectivas num olhar sobre o mundo, mas devemos sim nos perguntar, como exercício social, qual é o papel que cumprimos nesta sociedade de consumo, o que essa sociedade capitalista que de nós enquanto trabalhador e como ela financiadora deste Estado, que põe parte de seu povo submisso a uma ou outras leis e regras o que ele espera de nós e o que nós esperamos dele, se todos fazer essa pergunta e ter uma resposta certamente já estará fazendo um primeiro exercício para a sua libertação. E esse ano tem eleição no Brasil.
Manoel Messias Pereira
professor, cronista e poeta
Membro da Academia de Letras do Brasil -ALB
São José do Rio Preto -SP. Brasil

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