A Abolição da Escravidão no Amazona
O processo histórico do Brasil, é bastante complexo quando trata-se das informações sobre a historiografia dos seres humanos de matriz africana ou mesmo dos nativos indígenas, pouco temos editados nos livros escolares. Embora a quem acredite que isto está sendo mudado uns para melhor outros julgam para o pior. Vale lembrar que em 2010, no X Encontro Nacional Ensino de Matemática Cultura e diversidade, ocorrido em Salvador -BA, entre 7 e 9 de julho, houve reclamações sobre os livros em referencia as legislações 10639/03 e 11645/08, que trata da questões relacionadas a cultura e a história dos negros e dos indígenas.
Em 10 de julho de 1844 temos a abolição da escravatura no Estado do Amazonas,como convencionamos chamara as antigas províncias no Brasil, devido a tentativa de imitar os Estados Unidos da América e neste processo foi devido a pressão dos próprios negros, o quevai permitir a libertação dos 1500 cativos. O que permitiu o Decreto do presidente da província Sr. Theodoreto Carlos de Faria Souto, que inclusive era um ser humano nascido no Ceará. E o referido decreto dele dizia "A escravidão ficava definitivamente abolida e proclamava a igualdade de direitos de todos os seus habitantes."
Porém na capital de Amazonas na cidade de Manaus já tínhamos a abolição da escravatura desde o dia 25 de maio de 1844, e isto inicialmente li numa matéria jornalística de Paulo André Nunes, no jornal A crítica, em que ele diz da importância do dia 24 de maio de 1844, data ainda esquecida pelos historiadores e compêndios sociais do ensino no Brasil. E tudo isto muito antes do 13 de maio de 1888 e da aparente atuação dos maçon. Mas ele próprio disse na sua reportagem que Manaus não foi a pioneira em buscar o fim do processo abolicionista e cita a Vila de Araripe no Ceará que libertou os escravizados em 01 de janeiro de 1884. E a luta dos Dragão do mar efetiva-se em março de 1884, no Estado.
Quando no entanto observamos o contexto historiográfico vimos que no Brasil tivemos a criação da Sociedade Brasileira contra a Escravidão em 7 de setembro de 1880 em reunião na casa de Joaquim Nabuco, com dois argumentos, o primeiro é que com a escravidão o Brasil teria como resultado o subdesenvolvimento econômico, e a segundo é que a propaganda abolicionista que era o método escolhido para a ação da sociedade e com isto teve o surgimento da publicação do jornal "O abolicionista".
Num texto de Hobsbawn de 2004 ele disse da política exterior britânica e que necessitava de que fosse extinta a escravidão, para ter um mercado consumidor, e isto seguindo Andrew Hirrelt que fala que a Inglaterra pensava numa revolução de mão dupla com fim do processo que escravizava os seres humanos e uma melhora no aspecto mercantil. Por outro lado a abolição vinha também no encontro destes processos de necessidade.
E por outro lado os donos de pessoas escravizadas,viam como uma forma de economizar já que via como um gasto grande . Por outro lado o Brasil tinha em 1850 a Lei Euzébio de Queiroz que abolia o tráfico negreiro entre Brasil e África. E neste mesmo ano tivemos a Marinha inglesa invadindo os portos brasileiros para afundar os navios suspeitos de transportar pessoas para a escravidão. E somente então é que o governo resolveu interromper o tráfico de maneira efetiva.
Quanto ao ceará ao Estado vamos lembrar que em 1881 em Fortaleza já não embarcava mais escravos, vinham grupos de jangadeiros liderados por Francisco José do Nascimento, o Chico Matilde, que com o apoio da população e até mesmo dos militares decidiram não mais transportar navios de escravizados com isto os navios deixaram de atracar.
A ação dos trabalhadores não foi isolada e em 10 de janeiro de 1883 o movimento emancipatório articulado pela sociedade Cearense libertou e conseguiu a alforria de todos os escravizados de Araripe hoje Redenção. E José do patrocínio figura histórica acabou comparecendo neste ato. E em 25 de março de 1884 o presidente da província declarou o fim da escravidão destacando o Chico Matilde que recebeu o título de Dragão do Mar.
Esses apontamentos serve para uma melhor compreensão da realidade historiográfica brasileira, pois vamos encontrar livros que afirmará que no Amazonas não havia escravizados negros mas foi libertado 1500 pessoas, vamos encontrar outros apontamentos em livros que não aponta para o processo de diversidade e sim vai apenas tratar do treze de maio como luta dos abolicionistas. Esses apontamentos neste momento para chegar até a massa da população terás uma mais dificuldade com a nova proposta educacional do Ensino Médio, que hoje não visa a formação do ser humano na sua plenitude para a emancipação intelectual, cultural , social e cientifica e sim apenas para a formação da mão de obra barata, visando apenas o comercio e a industria.E sem nenhum respeito ao pensamento libertário. Infelizmente.
Manoel Messias Pereira
professor de história
poeta e cronista
Membro da Academia de Letras do Brasil -ALB
São José do Rio Preto-SP.Brasil

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