Artigo - A Paz um caminho confortável - Manoel Messias Pereira



A Paz um caminho confortável

Na história do Brasil havia um mito de que esse país foi construído com a presença do homem branco vindo de Portugal, que aqui encontrou os indígenas e trouxeram forçadamente os africanos, os pretos ou negros como como é falado no Brasil, pois em outros países falar negro é pejorativo. Porém internacionalmente falamos afro-descendentes da diáspora africana. Mas ao ler o livro de Georges Bourdoukan, "Capitão Mouro" de paramos com a história do Quilombo de Palmares, da organização da fortificação naquele local entre Pernambuco e Alagoas e vemos a presença de judeus e palestinos em Palmares. 

E isto é de fato algo, importante para que possamos a pensar como que essa relação se desenvolveu, pois o Brasil era colónia de Portugal um país monárquico absolutista, escravocrata, e os negros que estavam em quilombo estavam na condição de fugidos e para a época havia um inconformismo em relação a todos quilombolas, pois tinham uma organização muito parecida com a dos tempos atuais num molde republicano. Embora chamavam seu chefe-mor como Zumbi dos Palmares e antes o Ganga-zumba com o título de rei, mas admitindo todo um processo de democracia e de escolha entre os mocambos e a organização centralizada do Poder de Palmares. E a ideia que permeava o contexto ideológico da época era que o negro era irracional e um indolente um semi-humano.

E consta no livro de Bourdoukan que a invasão holandesa contribuiu indiretamente para a fuga em massa dos escravizados e para a criação do Quilombo dos Palmares. Os colonos portugueses, obrigados a se defenderem e a repelir os invasores, relaxaram na vigilância e isto foi importante para a saída dos africanos escravizados, para busca d  um refugio de liberdade. E essa informação procede-se pois converge-se com a do livro de Francisco de Assis da Silva "História do Brasil", que afirma que esse foi um dos comportamentos dos escravizados, porém há outros dois como a segundo foi de impor aos senhores ou por livre vontade se incorporarem às tropas restauradoras que combatiam o invasor. E por fim um terceiro comportamento que foi a de ficar do lado dos holandeses e contra os brasileiros e dos portugueses. 

Há um tópico no livro de Bourdoukan que é intitulado Bilad As-Sudan (África), quando o autor narra a captura, em que havia negros e brancos que chegavam queimavam as casas, onde haviam mulheres e crianças isto atrairiam os homens que chegava e eram facilmente capturados em África. Eram colocados argolas nos pés, e os que caiam os brancos gritavam de pés safados e todos depois disto fosse marcados com ferro quente com as bênças de um padre. E bebes e velhos eram degolados. mas há relatos de açoites, escorificações, onde usavam pólvoras em cima da chagas, assim como limão, salmoura e pimenta.

E foi neste inferno que encontra-se o judeu Ben Suleiman a caminho do Brasil encontra com o muçulmano e palestino Saifundim, que vinha de Granada. Saifundin um nome que significa a espada do juízo. E com as frase "Alhamduliláh! Alhanduliláh! Louvado seja Alláh glorificado e enaltecido seja.

E essas premissas inicias permite-me fazer essa ponte entre um passado e o presente. Hoje vejo quase que diariamente uma luta entre Israel e a Palestina. E como observador lembro que no mês de novembro quando a comunidade afro-brasileira comemora a data do mês da Consciência Negra que tem a data do dia 20 de novembro, que recordamos a morte e a eternização de Zumbi dos Palmares, podemos ver que a comunidade palestina também comemora no dia 29 de novembro portanto no mesmo mês a sua luta para a emancipação de um povo que desde a criação do Estado judáíco de Israel, reconheceram os judeus em 1938, mas não os outros povos que habitavam a Palestina. E o interessante foi que os fascistas, os nazistas, os integralistas, os franquistas os salazaristas, que desenvolveram uma aversão aos judeus, muito parecidos com aquelas da expulsão feitas em nome de Deus pelas cruzadas. E vale lembrar que na segunda guerra caçou-se judeus no mundo todo e eliminou-se, e basta lembrar que no Brasil o próprio Getúlio Vargas entregou Olga Benário, que estava casada com um brasileiro e grávida dele. Mas isto não impediu que ele pudesse cometer o crime de extermínio por uma questão racial. E por ser Getúlio uma pessoa que dialogava e trocavam cartas e confidencias com Hitler, normalmente. E que após a guerra em 1945, passou-se três anos, criaram o Lar Judeus e retiraram povos para povoar Israel até não se sabe de onde. E daí a ideia de serem pessoas da alta burguesia que foram para a Palestina para ocupar os lugares sagrados e esses são chamados de sionistas.Um termo que surgiu em meados de 1890 e tratava de uma referência a Sion, colina de Jerusalém onde foi construído o Primeiro Templo Judeu.

Portanto se antes no Século XVII, os judeu e árabes estavam em Palmares e ajudaram a organizar a fortificação do território palmarino agora é hora de lembrar esse laço de amizade que nos unem. E fazer a história do ir e vir, para uma melhor compreensão social.E nesta história recente observamos que em 29 de novembro de 2012, a Organização das Nações Unidas elevou a Palestina como Estado observador, numa votação que teve 138 países pro-resolução e apenas 9 países contrários entre os quais Israel e os Estados Unidos da América. Esses mesmos países que em 2001, abandonaram a Conferencia de Durban que tratavam da questão racial, em relação ao racismo e a todas as formas de discriminações  correlatas. Na oportunidade o Brasil foi a favor e felicitou os palestinos.

Esse reconhecimento como Estado observador foi simbólico, e a Autoridade Palestina continua sem o direito a voto na ONU. Na época era secretário geral Ban Kin - Moon. E os representantes de Israel e da palestinas fizeram uso da palavra, e usaram de discursos agressivos, contra e a favor da resolução.

O representante da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas, diz "Chega o momento para o mundo dizer basta de agressão de assentamentos, de ocupações." E o representante de Israel Ron Prosar diz "que a resolução tinha um só lado o palestino e não falava nada de Israel. e que ele não podia visitar a metade do Estado. E disse que Gaza era controlado pelo Hamas que ele era um grupo terrorista."

Na época a população de Ramallah celebrou a vitória, pois a palestina passou a ser Estado observador. Cabe aqui entre nós uma ressalva, a mídia ocidental tem uma mania de chamar muitos grupos de resistência de terrorista. Existe terrorismo no mundo hoje como o EI ou Estado Islâmico ou o Boko Haran. Que inclusive tem a sua criação no Ocidente e tens certas cumplicidade ou envolvimento de Estados Unidos e Israel, como tem alaridos algumas agências de noticias do mundo contemporâneos e que prestam um grande desserviço a paz, com a utilização de sequestros, estupros, a luta contra a mulher(menina) que eles não aceitam que estudem. É algo bastante  retrógrado . Mas o Hamas é um grupo de autodefesa e de resistência dos palestinos, não possuem essas características maléficas.

Hamas é o acrônimo de Harakat al-Muqãwamat al-Islãmiyyah, que significa Movimento de Resistência Islâmica. E foi criado em 1987 com o beneplácito de Israel, que via no Hamas um movimento de assistência Social, capaz de enfraquecer a liderança de Yasser Arafat,  por isto não concordo com o representante de Israel na Onu que discursou em 29 de novembro 2012.  E essa entidade  precisou a agir militarmente contra Israel no início da Primeira Intifada. E com a retirada unilateral de Israel de Gaza em 2005, o Hamas passou a governar a faixa de Gaza desde 2006, após derrotar o seu rival no parlamento tendo 76 cadeiras contra 43 cadeiras. A ideia de Hamas é unir Gaza e Cisjordânia. E há quem diga que a Carta do Hamas de 1988 é totalmente radical. E o problema com Israel é o fato dele ocupar terras Wakf, que são sagradas aos muçulmanos. A Palestina é antes de tudo um território islâmico e com essa maneira de pensar revela-se toda a dificuldade do relacionamento entre judeus e palestinos.

E desde a criação de Israel em 1947 temos anos de impasses. Primeiro foi a divisão entre árabes e palestino. Jerusalém teria o Status internacional. Em 1948 Israel declarou Independência e venceu guerra contra a Jordânia, Egito, Síria, Libano e Iraque. Em 1967 Egito, Jordânia e Síria entram em confronto com Israel na Guerra dos Seis dias. Israel anexa a faixa de Gaza, a Cisjordânia, o Sinai ea s Colinas de Golã. Em 1973 a Guerra Yom Kippur. Egito e Síria atacam Israel no feriado judeu. Israel vence. Em 1979 Acordo em Camp David e Israel devolve o Sinai ao Egito.Em 1987 Temos a primeira Intífada que é a revolta popular árabe ontra a invasão israelense. Em 1993 Israel e OLP assinam os acordos de Oslo, que reconhecem a ANP estabelecendo a autonomia palestina na Cisjordãnia e Gaza. Em 2000 tem a segunda Intífada. Em 2007 temos o poder com o Hamas. Em 2008 Israel invade Gaza e 1300 palestinos e 13 israelenses  morrem em 22 dias. Em 2012 Ataques de israel e Gaza deixam pelo menos 162 palestinos e 6 israelenses mortos. Em 2013 Conersa de paz entre judeus e palestinos mediada por Barack Obama. Em 2017 Hamas muda o seu programa político. O grupo passou a aceitar o Estado palestino nos limites após a guerr de 1967, mas com a capital em Jerusalém Oriental. Em 2017 -O presidente estado unidense Donald Trump pede para o primeiro ministro Benjamim Netanyhu para que o país pare com os assentamentos em territórios palestinos. E em 2018 o presidente Trump muda a embaixada americana para Jerusalém e passa admitir a cidade como capital de Israel e é seguido por nove pequenos países.

O que desejam Israel hoje, a) desmilitarização do Estado Palestino, b)O reconhecimento palestino do Estado de Israel, c)manutenção do controle de seu espaço aérea e das fronteiras externas, d)Preservação das fronteiras após 1967. No entanto seus maiores assentamentos sejam anexados, pode abandonar a Cisjordãnia. e)Cerca de 500 mil judeus vivem aproximadamente, 150 assentamentos.

O que desejam a Palestina: a)Jerusalém Oriental, parte leste como capital do futuro Estado Palestino, b) estado soberano e independente de Cisjordânia e na Faixa de Gaza, c)Saída de Israel dos Estados ocupados após a guerra dos seis dias d)Fim dos assentamentos judeus que avançam a fronteira, e) O retorno de cinco milhões de refugiados e seus descendentes ao que hoje é Israel, e com certeza viver em Paz sem a violência da força desproporcional que Israel usa.

Para a ONU, Israel é um Estado membro, é aquele que tem direito a voto na Assembleia Geral. Para se tornar membro é preciso recomendação do Conselho de Segurança e votação na Assembleia. Enquanto  que a Palestina é um Estado observador, é reconhecido como Estado porém está pleiteando participar das sessões, mas não tem direito a votos.. E a Palestina não é considerado um Estado pela ONU.

Creio que essa história está em construção como todas as outras, não somos seres acabados, mas parte de um processo em transformações dialéctica. Palestinos e judeus precisam entenderem e dar início a propostas concretas visando imensamente a paz. Pois só a ela  é o caminho confortavam que todos possam guiar-se para uma possível felicidade.


Manoel Messias Pereira

professor, cronista, poeta
Membro da Academia de Letras do Brasil -ALB
São José do Rio Preto-SP. Brasil


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